A segurança é uma prioridade política para o Algarve, região que tem as suas especificidades nesta matéria. A uma elevada população flutuante, corresponde uma ocupação do território muito específica, com forte concentração no litoral, enorme dispersão de habitação nas zonas de baixa densidade e uma vida nocturna muito agitada. É uma região de acolhimento. No que essa condição tem de bom e de mau. Sempre convivemos com isso. E sempre nos saímos bem.
Mas temos de estar atentos aos novos sinais. Há uma distância a percorrer entre a matemática dos números e o sentimento das pessoas. Há menos crimes, mas há maior exposição pública da sua violência.
Há hoje uma criminalidade de cariz mais organizado e com uma violência muito marcada. Que ataca habitações isoladas, com as pessoas lá dentro. Estrangeiros, na sua grande maioria. E isso traz-nos uma sensação de insegurança e muito desconforto.
O Governo respondeu. Reforçou os meios humanos. Em dois anos há um aumento de mais 234 militares em serviço no Algarve. Isso é importante. Há mais formação dos agentes no terreno. Melhorou a frota automóvel. Mas era preciso ir mais além, dar novas respostas. E elas estão a ser dadas.
Um novo tipo de criminalidade obriga a um novo modelo de intervenção, privilegiando a acção conjunta das forças policiais e a utilização das novas tecnologias. A resposta é a criação das equipas mistas.
Para concentrar informação sobre todas as situações de crime violento, actuando quer ao nível da prevenção, quer ao nível da investigação. Além disso, o sistema de vigilância vai ser reforçado com mais meios tecnológicos, nomeadamente de leitura automática de matrículas. Para que se identifiquem rapidamente movimentações suspeitas. Melhor organização, mais eficácia.
Entretanto, está em curso um outro programa essencial, de mapeamento georreferenciado das habitações dispersas, o que facilitará, através do GPS, o acesso mais célere a todos os locais. Mais informação, melhor conhecimento.
Muito tem sido feito para uma maior coordenação interpolicial, através do Gabinete Coordenador Distrital de Segurança, junto do Governo Civil. Agora, é passar a uma acção mais concertada.
Também a criação dos Contratos Locais de Segurança, em fase de elaboração dos diagnósticos municipais, são um passo em frente para garantir o envolvimento dos agentes no terreno. As autarquias são fundamentais. Na criação de polícias municipais, onde for necessário. Mas também numa maior articulação intermunicipal em termos de segurança.
Existe um novo despertar para os fenómenos da segurança. Novas exigências e novas respostas. Saibamos construir uma cultura de segurança, em que todos estejamos envolvidos.
O Governo deu um sinal claro, reconhecendo a necessidade de uma resposta integrada, no domínio do combate à imigração ilegal e ao tráfego humano, na prevenção e investigação do crime, na protecção civil. Um sinal mais que oportuno, um sinal feliz.
Para que o Algarve seja sempre um destino seguro e uma terra de bom acolhimento para aqueles que cá querem viver. É preciso ter confiança.
Miguel Freitas (Observatório do Algarve, 27-01-2010)

