"A formação é extremamente importante para se conseguir fazer a reforma da Administração Pública", defendeu sexta-feira o empresário e especialista em informática, Luís Ferrinho, considerando que este processo tem decorrido com alguma lentidão em várias organizações, como é o caso das autarquias.
Luís Ferrinho, que falava durante uma sessão da Universidade Meridional promovida pela Federação do PS Algarve com a colaboração da Fundação Res Publica, salientou que, apesar do grande investimento feito pelo Governo na área das novas tecnologias, a formação ainda não atingiu os níveis exigidos em muitas organizações da Administração Pública.
"A formação é algo em que o Governo tem vindo a apostar, mas tem de haver mais capacidade de esforço por parte das pessoas, para que consigam aprender a trabalhar com estas novas ferramentas", referiu o empresário.
Durante a sua apresentação subordinada ao tema "Inovação e Simplificação de Processos nas Autarquias Locais", Luís Ferrinho apresentou o quadro de evolução tecnológica desde 2003, tendo salientado que nas sociedades competitivas como as de hoje, em que são exigidos cada vez mais e melhores resultados, esta é uma área com um papel fundamental a desempenhar, pois oferece um vasto leque de plataformas para uma gestão mais eficaz das organizações, que resultam por exemplo numa significativa redução de custos financeiros.
O empresário salientou no entanto que as pessoas constituem um factor primordial para o sucesso das organizações, pelo que o seu potencial deve ser estimulado em três áreas fundamentais, designadamente a produtividade pessoal, o trabalho em equipa e o acesso à informação.
"O problema actual na maior parte das organizações é que existem dois mundos completamente diferentes, designadamente o das tecnologias e o das pessoas, os quais não podem funcionar só por si", sublinhou Luís Ferrinho, defendendo que o recurso à tecnologia é um caminho obrigatório também para as autarquias.
"Neste próximo mandato os presidentes de câmara não terão outra hipótese se não utilizarem estas ferramentas, que permitem identificar, por exemplo, a origem de uma quebra de receitas, o que hoje é quase impraticável através dos sistemas existentes nas autarquias", observou o especialista.
No que diz respeito à área do marketing tecnológico, o empresário apontou a importância de as autarquias virem a adoptar sistemas integrados de informação e comunicação, nomeadamente através da utilização de plataformas como as Redes Sociais, os Portais 2.0 e os CRM (Citizen Relationship Management), que permitem criar um "relacionamento" directo entre os responsáveis municipais e os cidadãos.
"Nos dias de hoje, em que se fala muito dos orçamentos participativos e da gestão partilhada, é essencial criar condições para que essa colaboração seja possível, pois os munícipes estão a tornar-se cada vez mais exigentes", defendeu Luís Ferrinho, considerando que os futuros candidatos autárquicos "não conseguirão ganhar eleições" sem o recurso às novas ferramentas tecnológicas.
"Os munícipes são como clientes, que exigem serviços por parte da autarquia, e isso só será possível como uma mudança radical dos sistemas de informação", sublinhou o empresário.
O Gabinete de Imprensa
Faro, 10 de Maio de 2009

