O Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Nunes Correia, considerou sexta-feira, em Faro, que o turismo tem sido a grande alavanca do desenvolvimento do Algarve, mas pode vir a tornar-se "numa armadilha" desse mesmo desenvolvimento, tendo em conta o risco de vir a prevalecer na região uma economia "colonizada" por este sector.
Nunes Correia, que falava na sessão de encerramento do II Curso da Universidade Meridional promovida pela Federação do PS Algarve com a colaboração da Fundação Res Publica, durante a qual fez o balanço dos últimos 20 anos da Política de Coesão no País, defendeu que o Algarve deve diversificar a sua economia e reforçar a "notoriedade" para se tornar uma região competitiva, criativa e inovadora à escala europeia.
Fazendo uma avaliação do que se passa na região em matéria da nova agenda introduzida na Política de Coesão pelo Tratado de Lisboa, nomeadamente a coesão territorial (que atribui uma atenção crescente às especificidades regionais) Nunes Correia apontou o ordenamento e o ambiente como "os grandes aliados de um Algarve equilibrado, desenvolvido e próspero a longo prazo", tendo considerado que a região tem condições para ser uma das mais atractivas da Europa, mas deve apostar fortemente na valorização do seu "cosmopolitismo" e na preservação das suas riquezas naturais, "olhando cada vez mais para todas as áreas da economia".
"O turismo tem sido o motor do desenvolvimento e tem um grande poder de arrastamento de outros sectores como os da construção e serviços, mas pode tornar-se também numa armadilha do desenvolvimento, pois há um certo risco de monocultura", frisou o Ministro, salientando que a "grande carência de inovação" e a "necessidade de diversificação da economia da região", exige uma aposta forte em novas vertentes ligadas a esta actividade, como o turismo cultural e da natureza, bem como nos sectores agro-alimentar, saúde, energias renováveis, tecnologias da informação e indústrias criativas, a par da valorização dos patrimónios cultural e natural.
Em Faro, o Ministro fez referência ao estudo coordenado por Augusto Mateus sobre ‘Competitividade territorial e coesão económica e social', elaborado no âmbito da preparação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) em 2005, e em que é feita a avaliação dos 20 anos de política de coesão no nosso País.
De acordo com o documento, o Algarve, seguindo a tendência nacional, deu passos "gigantescos" no domínio da coesão, mas as fragilidades estruturais existentes não permitiram, também à região, avançar ao mesmo ritmo em matéria de competitividade.
"O Algarve gerou e atraiu receita para melhorar a qualidade de vida e para distribuir razoavelmente essa qualidade de vida, mas tem uma base económica com algumas fragilidades estruturais", frisou o Ministro, considerando no entanto que este não constitui motivo para depressão, pois denota uma excelente base para dar um passo em frente.
Mais preocupantes, na opinião de Nunes Correia, são os índices de vulnerabilidade apresentados pelo Algarve, no âmbito dos grandes desafios com que as regiões da Europa se irão confrontar em 2020, nomeadamente perante os fenómenos da globalização, da demografia, do clima e da energia.
De acordo com um relatório elaborado pela Comissão Europeia em 2008, a situação dos países do Sul da Europa é extremamente "crítica" nestas matérias, apresentando-se Portugal, e consequentemente o Algarve, numa posição "preocupante" nos diversos índices de vulnerabilidade inerentes às novas ameaças, à excepção do domínio da energia, onde se situa na zona central da tabela.
"O mais preocupante é que estas regiões do Sul da Europa já são as que, actualmente, têm mais problemas de desenvolvimento, com níveis inferiores à média europeia e esta evolução tende a agravar esse fenómeno, pelo que, sendo sempre necessário fazer um esforço de desenvolvimento nestas regiões, devido a estas ameaças e adversidades esse esforço tem de ser duplo", salientou o Ministro, defendendo que, neste quadro, a política de coesão e os fundos estruturais continuarão a desempenhar um papel de primeira importância, não apenas pela dimensão financeira dos recursos, mas também pela disciplina de planeamento, reflexão estratégica e definição de objectivos que exige.
A encerrar o Curso de Politica e Administração Autárquica, o Presidente da Federação do PS Algarve, Miguel Freitas, realçou o esforço desenvolvido pelos organizadores e formandos desta segunda acção de formação de quadros na região, na área política, tendo salientado a exigência, qualidade e seriedade com que o Professor Adriano Pimpão, reitor da Universidade Meridional, se empenhou nesta causa.
Miguel Freitas desafiou ainda os participantes no II Curso promovido pela Federação, a utilizarem os conhecimentos adquiridos ao longo dos últimos meses, para enfrentarem os próximos combates eleitorais.
"Passamos de uma fase de reflexão política, que foi o objectivo principal deste nosso trabalho na Universidade Meridional, para o combate político, no qual, tudo aquilo que aprendemos aqui é importante", considerou Miguel Freitas, salientando que o referido combate político assenta em ideias muito equilibradas e bem direccionadas, já que o PS é um partido que tem projectos concretos para o País e para o Algarve.
O Gabinete de Imprensa
Faro, 11 de Julho de 2009

